Maternidade

Sobre sentimentos que não sei o nome…

Sabe que até um tempo destes eu me sentia como uma menina:

ok eu era adulta, trabalhava, estudava, pagava minhas contas, cuidava da casa, do meu marido e do nosso cãozinho… me deixava ser cuidada pelo marido e bem, recebia muitas lambidas e olhares pidões do Alzinho kk…

De repente eu engravidei, tinha 6 semanas de vida nossa Malu estava ali dentro de mim, nosso arco íris, aquela que veio três anos depois que sofri a maior perda da minha vida.

Meu corpo mudou completamente, eu tinha sintomas: sono, desejos, enjoos… depois fome, muita fome, ganho de peso e coisas comuns a toda gravidinha. De um momento para outro eu deixei de ser a Manú para ser a grávida, aquela mulher grávida que todo mundo se acha no direito de passar a mão em sua barriga (quem nunca), aquela que quase toda mulher sorri e pergunta: “Qual o sexo do bebê? já tem nome? é para quando?” Sim… por um tempo parecia que eu tinha deixado de ser a Manú para ser a gravidinha… num momento sem perceber eu me apossei desse título com todas as minhas forças e com todo o amor possível.

9 meses depois todo o meu amor estava fora de mim, tinha uma boquinha perfeita sugando meus seios, mãozinhas tão pequenas mas que se apegava a meus dedos tão fortemente… e um chorinho estridente que me tirava o chão. Com o tempo vieram os sorrisos, os sonos em cima de mim, ou abraçada comigo, os olhos brilhando ao me ver… de repente ela já tem o seu desenho preferido, ela já dorme sozinha em seu berço e já sabe pôr a pepeta em sua boca sozinha… e eu?

Eu assisto a tudo, eu sou a mediadora. talvez a sua maior companhia em se falando de tempo… hoje eu sei de quase tudo, eu aperto, beijo, abraço, canto, brinco, e dou tanta risada… como a gente ri juntas, com pepeta ou sem pepeta rsrs…

Mas às vezes sinto falta de saber quem sou eu…

… quando foi que eu deixei de ser aquela menina que saia sem rumo com o marido e voltava para casa de madrugada com a barriga varada de fome, comendo batatas fritas ou qualquer outra coisa que tivesse disponível no caminho, para ser a mãezinha que olha a previsão do tempo antes de sair de casa, que pensa mil vezes em ir num barzinho sábado a noite com as amigas e desiste em cima da hora, tudo por proteção e as vezes por super proteção.

Sem contar o corpo, o meu corpo de antes tadinho tão criticado por mim, tão escondido por mim e hoje tão desejado.

Como me voltar a ser eu Manú mulher quando tem um pedaço de mim batendo num outro coração fora de mim e com perninhas firmes já querendo ganhar o mundo?

Hoje eu ainda não sei quem sou eu, eu sou mãe …e  só sei sentir.

O que eu gosto de fazer, de vestir, de falar, de ouvir? Hoje eu não sei ao certo… enquanto eu escrevia este texto e repetia esta pergunta na minha cabeça me lembrei que gosto de ouvir Teatro Mágico… coloquei a playlist em meu spotify e talvez este seja um bom recomeço… porque tudo o que eu tinha de tão firme, de tão certo de repente virou incerto… de certo hoje só tenho o meu corpo, que mesmo meio desajeitado está aqui pronto para protegê-la e para ser sua mediadora a hora que for…

Um forte abraço para quem lê este texto, mas um forte abraço, hoje, principalmente em quem escreve.

Ps.: Se você teve uma experiência parecida com a minha me conta?

Manú.

1 comentário

  1. Kelly Roberta Heitor 30 outubro, 2018 at 20:07 Responder

    Manu, tenho 3 filhas, a primeira eu tive com 21 anos. A segunda com 23 e a terceira com 31… Nas minhas duas primeiras gravidez, eu fui muito menina/moleca, sem deixar minha responsabilidade e nem deixar nas costas dos outros… E hj eu continuo sendo moleca, msm com meus 35 anos, não tenho vergonha da minha idade, faço o q gosto, ouço as músicas q sempre gostei… Sabe, amo Floribela e ensinei minhas filhas a gostarem tb. Mas tb sei das minhas responsabilidades… Mas faço de tudo pras minhas filhas curtirem a fase delas. Criança tem q ser criança… A gente assiste filmes e algumas séries juntas, jogamos banco imobiliário, fazemos festas das bonecas… Enfim me sinto uma adulta moleca, ainda mais com minhas filhas <3

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